Waldirene Nogueira, reconhecida como a primeira mulher trans a passar por uma cirurgia de redesignação sexual no Brasil, morreu aos 80 anos. A morte foi registrada em Ubatuba, no litoral de São Paulo, em decorrência de insuficiência respiratória aguda.
Natural de Lins, no interior paulista, Waldirene entrou para a história em 1971, quando realizou a cirurgia no Hospital Oswaldo Cruz, em São Paulo. O procedimento foi conduzido pelo cirurgião Roberto Farina e acabou se tornando um marco na medicina e nos debates sobre identidade de gênero no país.
Na época, a cirurgia gerou enorme repercussão e resistência institucional. O médico responsável chegou a ser condenado por lesão corporal grave após realizar o procedimento, em um caso que ganhou notoriedade nacional e internacional. Waldirene, no entanto, passou anos defendendo publicamente o profissional e afirmando que a operação havia mudado sua vida.
Mesmo após a cirurgia, Waldirene enfrentou dificuldades para ter sua identidade reconhecida oficialmente. Segundo reportagens sobre sua trajetória, ela só conseguiu alterar os documentos civis em 2010, aos 65 anos, após décadas de disputas judiciais e negativas burocráticas.
Ao longo da vida, trabalhou como manicure e também era formada em contabilidade. Movimentos LGBTQIA+ e coletivos ligados à causa trans lamentaram sua morte e destacaram o papel pioneiro de Waldirene na luta por dignidade, reconhecimento e direitos para pessoas trans no Brasil.