A Polícia Federal passou a classificar internamente o esquema investigado no caso do Banco Master como uma “máfia fantasiada de banco”, diante do nível de organização identificado durante as investigações. Segundo investigadores ouvidos pela jornalista Andréia Sadi, a estrutura funcionaria de forma hierarquizada, com divisão de tarefas e atuação coordenada entre diferentes núcleos. As informações foram divulgadas pelo g1.
De acordo com a apuração, a análise dos celulares e demais equipamentos eletrônicos apreendidos nas operações permitiu aos investigadores reconstruir a dinâmica do grupo, identificar responsáveis por diferentes frentes de atuação e descobrir projetos que chegaram a ser planejados, mas não executados. O material passou a ser tratado pela equipe como um verdadeiro “mapa do crime”, devido ao volume de informações obtidas.
As investigações também apuram a existência de um núcleo responsável por intimidar jornalistas, monitorar pessoas ligadas a autoridades públicas e obter ilegalmente informações protegidas por sigilo. Paralelamente, a Polícia Federal investiga possíveis campanhas coordenadas para desacreditar instituições, como o Banco Central.
O avanço das provas levou a PF a rejeitar, pela segunda vez, uma proposta de delação premiada apresentada pelo empresário Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master. Segundo os investigadores, as informações oferecidas não acrescentavam elementos relevantes às evidências já reunidas e não continham reconhecimento de responsabilidade pelos crimes investigados.
Apesar de a defesa de Vorcaro ainda tentar retomar as negociações para um acordo de colaboração, investigadores avaliam que a possibilidade se tornou remota diante do conjunto de provas já coletadas. A expectativa agora é que a perícia sobre o material apreendido revele novos elementos para ampliar as investigações e responsabilizar outros envolvidos no caso.