As pastoras Lanna Holder e Rosania Rocha, fundadoras da igreja inclusiva Cidade de Refúgio, em São Paulo, afirmam que seguem desafiando a exclusão de pessoas LGBTQIA+ no meio evangélico. Casadas há mais de dez anos, elas lideram uma comunidade que busca acolher fiéis historicamente afastados de igrejas por causa da orientação sexual ou identidade de gênero.
Em entrevista publicada pela revista Marie Claire, as religiosas defendem que a mensagem central do cristianismo é de acolhimento e afirmam que “Deus nos ama como somos”. Segundo elas, a proposta da igreja é mostrar que espiritualidade e diversidade não são incompatíveis, oferecendo um espaço onde pessoas LGBTQIA+ possam exercer a fé sem sofrer discriminação.
A trajetória das duas foi marcada por rupturas pessoais e religiosas. Antes de assumirem o relacionamento, ambas viveram casamentos heterossexuais. Lanna, inclusive, ganhou notoriedade no passado por participar de ministérios ligados à chamada “cura gay”, posição que posteriormente abandonou após assumir sua orientação sexual.
As pastoras relatam que ainda enfrentam críticas, ataques e discursos de ódio, especialmente nas redes sociais. Apesar disso, afirmam que o preconceito não alterou a missão da Cidade de Refúgio, que hoje reúne milhares de fiéis em diversas unidades no Brasil, em Portugal e também por meio de uma comunidade virtual.
Para Lanna e Rosania, o crescimento das igrejas inclusivas reflete a busca de muitos cristãos por espaços onde possam conciliar fé e identidade. Elas defendem que o acolhimento e o respeito devem prevalecer sobre a exclusão, reforçando que o evangelho, em sua visão, é fundamentado no amor ao próximo.