O Brasil deve registrar pelo menos seis ondas de calor até o fim de 2026, sob influência do El Niño. A projeção é do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden) e considera o comportamento das temperaturas no país ao longo de quase cinco décadas.
Segundo reportagem do g1, a estimativa foi elaborada a partir da análise de 47 anos de registros de temperatura durante períodos de El Niño. O número de episódios de calor extremo, no entanto, pode ser ainda maior. No último El Niño, entre 2023 e 2024, foram contabilizadas nove ondas de calor entre agosto e dezembro.
Para o Cemaden, uma onda de calor ocorre quando temperaturas máximas e mínimas permanecem excepcionalmente acima da média por pelo menos três dias consecutivos. Os pesquisadores também identificaram que esses eventos se tornaram mais frequentes e passaram a atingir áreas maiores do território brasileiro nas últimas décadas.
O cenário pode ser agravado pela intensidade do El Niño. O fenômeno, provocado pelo aquecimento anormal das águas do Oceano Pacífico Equatorial, altera os padrões de chuva e temperatura. No Brasil, a expectativa é de combinação entre calor extremo, estiagens em algumas áreas e chuvas intensas em outras.
Além dos efeitos sobre a saúde, as temperaturas elevadas e a falta de chuva podem ampliar o risco de incêndios e provocar impactos na agricultura e nos preços dos alimentos. A preocupação aumenta porque as ondas de calor têm se espalhado pelo país, atingindo tanto regiões tradicionalmente quentes quanto áreas menos adaptadas a temperaturas extremas.