A médica Ana Paula Nunes dos Santos, de 27 anos, relatou os momentos de angústia vividos após ser presa por engano em Mato Grosso do Sul. Ela foi confundida com outra mulher de mesmo nome, passou duas noites detida e permaneceu 19 dias usando tornozeleira eletrônica até que o erro de identidade fosse comprovado.
Segundo o g1, Ana Paula foi abordada no Aeroporto Internacional de Campo Grande quando retornava de férias na Bahia, acompanhada do marido e da filha de seis meses. Desde o primeiro momento, a médica afirmou que tentou explicar aos agentes que não era a pessoa procurada. Mesmo assim, acabou conduzida à delegacia.
Após passar duas noites presa, ela foi liberada em audiência de custódia, mas teve de usar tornozeleira eletrônica. De volta a Dourados, onde mora, procurou a Defensoria Pública de Mato Grosso do Sul. A análise do processo mostrou que havia duas mulheres chamadas Ana Paula Nunes dos Santos envolvidas na confusão, mas com CPF, filiação e outros dados pessoais diferentes.
Os documentos também apontaram que a médica nunca havia sido citada, apresentado defesa ou participado da ação penal. Segundo o defensor público Lucas Colares Pimentel, a comparação dos dados permitiu constatar que quem havia participado do processo era outra mulher com o mesmo nome. A Defensoria entrou com habeas corpus no Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul para derrubar as restrições e corrigir os registros.
Mesmo durante o período de monitoramento eletrônico, Ana Paula continuou trabalhando como servidora da saúde em Dourados. Após a comprovação do equívoco, a tornozeleira foi retirada. A médica afirmou que sentiu alívio ao finalmente ter sua identidade conferida e conseguir demonstrar que estava sofrendo as consequências de um crime que não cometeu.