Longe dos palcos e dos grandes centros urbanos, Ney Matogrosso mantém há cerca de três décadas uma fazenda de 140 hectares em Saquarema, na Região dos Lagos do Rio de Janeiro. Adquirida pelo cantor na década de 1990, a propriedade se transformou em um refúgio particular e também em uma área voltada à preservação da Mata Atlântica e à reabilitação de animais silvestres.
Segundo O Globo, mais da metade da propriedade é destinada à conservação ambiental. Cerca de 80 hectares são cobertos por Mata Atlântica preservada, e parte do território possui reconhecimento como Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN). O local também reúne nascentes, fontes de água potável e é cortado pelo Rio Mato Grosso.
A preservação da área permitiu que a fazenda também se tornasse um ponto de soltura de animais silvestres. Mais de 10 mil animais já foram devolvidos à natureza no local, entre capivaras, tamanduás, lontras, gambás, corujas, periquitos, gaviões, cobras, tartarugas, jacarés e bichos-preguiça. O trabalho é realizado em parceria com o Instituto Vida Livre, do qual Ney Matogrosso é patrono.
Antes de retornarem ao habitat natural, os animais passam por avaliações veterinárias e períodos de adaptação para verificar se possuem condições de sobreviver novamente na natureza. Recentemente, Marisa Monte visitou a propriedade e acompanhou, ao lado de Ney, a soltura de uma preguiça-de-três-dedos que havia passado pelo processo de reabilitação.
A ligação de Ney com a propriedade também aparece na arquitetura da residência, construída com dois pavimentos, estrutura de madeira e grandes varandas voltadas para a floresta. O cantor, hoje com 85 anos, costuma destacar o silêncio e o contato direto com a natureza como alguns dos principais atrativos do local, que também serviu como seu refúgio durante a pandemia de Covid-19.