João César Melchiori, conhecido como Neno, chegou aos 80 anos com uma marca rara: tornou-se a pessoa com síndrome de Down mais longeva do Brasil. Morador de São Manuel, no interior de São Paulo, ele nasceu em 1946 e vive atualmente com uma das irmãs, cercado pelos cuidados da família e de uma cuidadora.
Segundo reportagem do Fantástico, exibida pela TV Globo e publicada no g1, Neno nasceu em uma época em que a expectativa de vida das pessoas com síndrome de Down era de aproximadamente 12 anos. O cenário mudou significativamente ao longo das décadas: nos anos 1980, a média chegou a cerca de 25 anos; na virada do século, ficou entre 40 e 45 anos; e, atualmente, varia entre 60 e 65 anos.
Neno não frequentou a escola e não aprendeu a ler ou escrever, reflexo de uma época em que pessoas com deficiência tinham menos acesso à educação e à inclusão. Mesmo assim, construiu uma rotina própria. Em casa, mantém um espaço que chama de “escritório”, onde guarda livros, revistas, coleções e objetos antigos. Também gosta de festas de aniversário, música, dança e passeios.
Mesmo aos 80 anos, ele procura se manter ativo. Entre os hábitos estão caminhadas até a padaria, visitas à igreja, exercícios físicos e o tradicional cochilo depois do almoço. Após sofrer um AVC, Neno passou a ter mais dificuldades para se comunicar, mas familiares e cuidadores desenvolveram outras formas de compreender suas vontades e necessidades.
Ao Fantástico, o médico Orestes Vicente Forlenza, chefe do Departamento de Psiquiatria da USP, explicou que os avanços no diagnóstico e no tratamento de doenças congênitas contribuíram para aumentar a expectativa de vida das pessoas com síndrome de Down. Segundo o especialista, chegar aos 80 anos é algo raro para pessoas com a condição. Para a família, além dos avanços da medicina, a longevidade de Neno também está ligada à rotina ativa e aos cuidados recebidos ao longo de toda a vida.