O percentual de famílias brasileiras com algum tipo de dívida alcançou 82% em julho, o maior patamar da série histórica da Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), divulgada nesta quinta-feira (6) pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). O índice avançou 0,4 ponto percentual em relação a junho (81,6%) e ficou 3,5 pontos acima do registrado no mesmo mês de 2025. A informação foi divulgada por O Globo e confirmada pelos dados da CNC.
Apesar do aumento do endividamento, a pesquisa mostrou uma leve melhora na inadimplência. A parcela de famílias com contas em atraso recuou de 29,9% para 29,8%, enquanto o tempo médio de atraso caiu para 64,6 dias, o menor nível desde dezembro de 2025. Ainda assim, cresceu o número de consumidores que comprometem mais da metade da renda com o pagamento de dívidas, percentual que chegou a 19%.
Segundo a CNC, o cartão de crédito continua sendo o principal responsável pelo endividamento, presente em 85,3% dos lares que possuem dívidas. Em seguida aparecem os carnês de lojas, empréstimos pessoais, financiamentos imobiliários e de veículos, além do crédito consignado.
O levantamento também aponta que o problema é mais intenso entre as famílias de menor renda. Entre aquelas que recebem até três salários mínimos, 84,9% estão endividadas e 38,5% têm contas em atraso. Já entre os lares com renda superior a dez salários mínimos, o índice de endividamento é de 72%, com inadimplência de 15,1%.
Para a CNC, os dados indicam que, embora as renegociações tenham contribuído para reduzir a inadimplência, o elevado comprometimento da renda continua pressionando o orçamento das famílias. A entidade avalia que a redução gradual dos juros pode ajudar a aliviar esse cenário nos próximos meses, mas alerta que o endividamento deve permanecer em patamar elevado.