A modelo Joana Purin, de 28 anos, passou 20 dias internada após aplicar por conta própria uma dose elevada de uma caneta emagrecedora à base de retatrutida, substância ainda em desenvolvimento e não lançada comercialmente. Durante a hospitalização, ela foi diagnosticada com anorexia nervosa e desnutrição, precisou ser alimentada por sonda e, depois, por cateter intravenoso, que acabou provocando uma trombose no braço.
Segundo a revista Marie Claire, a relação de Joana com transtornos alimentares e distorção da imagem corporal começou em 2021, quando trabalhava como modelo no Chile. Ela passava longos períodos sem comer e chegou aos 38 quilos. Após recuperar peso com o apoio da mãe e se afastar da carreira, voltou a enfrentar problemas em 2025, em meio à morte da avó, ao divórcio e a um quadro depressivo. Purin passou a gostar de se ver cada vez mais magra e a recorrer esporadicamente a canetas emagrecedoras.
O quadro se agravou quando Joana aplicou de uma só vez 15 mg de uma caneta à base de retatrutida. Após apresentar hipoglicemia, procurou atendimento médico por orientação do psiquiatra e acabou internada. Depois da hospitalização, voltou a menstruar, sinal considerado positivo pela equipe médica, já que a deficiência de nutrientes em quadros graves pode levar à interrupção do ciclo menstrual.
À Marie Claire, a psiquiatra Mireille Almeida, coordenadora do Ambulatório de Transtornos Alimentares da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo, explicou que a anorexia é marcada pela restrição alimentar severa e autoimposta e pela distorção da imagem corporal. Mesmo em estados críticos de desnutrição, a pessoa pode continuar se enxergando acima do peso. A especialista ressalta a importância do diagnóstico precoce, do acompanhamento contínuo e do envolvimento da família, especialmente diante do risco de recaídas.
Joana passou a compartilhar o tratamento nas redes sociais e recebe mensagens de pessoas que enfrentam a mesma doença e de familiares que identificam sintomas semelhantes. Ao mesmo tempo, afirma receber perguntas de garotas interessadas em saber como conseguiu chegar ao baixo peso, mesmo em publicações nas quais mostra o sofrimento provocado pela anorexia. Em recuperação e cercada pelo apoio de familiares e amigos, ela descreve a doença como uma batalha que oscila: “A anorexia, para mim, surge em ondas”.